As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) estão ganhando cada vez mais espaço no Sistema Único de Saúde (SUS), representando uma importante estratégia para tornar o cuidado com a saúde mais humanizado, acessível e conectado com a realidade cultural da população brasileira.

Institucionalizadas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), por meio da Portaria MS/GM nº 971, de 3 de maio de 2006, as PICS englobam terapias como acupuntura, homeopatia, fitoterapia, reiki, meditação, yoga, medicina tradicional chinesa, musicoterapia, entre outras. Essas práticas têm como objetivo promover a saúde, prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida dos usuários do SUS.

Ao considerar o paciente em sua totalidade — corpo, mente, cultura e território — as práticas integrativas rompem com a lógica do modelo biomédico tradicional, que foca apenas na doença e na medicalização. Elas buscam valorizar o cuidado com o ser humano como um todo, respeitando os saberes populares e milenares que fazem parte da história e da cultura de diferentes comunidades no Brasil.

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Cuidado que respeita as raízes do povo

O uso de plantas medicinais, chás caseiros e terapias de matriz africana e indígena são exemplos de saberes tradicionais amplamente utilizados em áreas rurais, comunidades quilombolas e favelas. Mesmo com esse amplo uso, esses conhecimentos ainda enfrentam resistência dentro das instituições de saúde por conta de um preconceito epistemológico que privilegia apenas o saber científico ocidental.

Pesquisadores e profissionais de saúde defendem que a superação desse preconceito é essencial para o fortalecimento do SUS e para a construção de um sistema de saúde verdadeiramente plural, inclusivo e eficiente. Segundo o pesquisador Gastão Wagner de Sousa Campos, referência na área de saúde coletiva, a integralidade do cuidado exige o reconhecimento da dimensão cultural, afetiva e espiritual dos indivíduos.

Resultados efetivos e redução de custos

Estudos apontam que as PICS contribuem significativamente para o bem-estar físico e emocional dos pacientes, especialmente no enfrentamento de doenças crônicas, dores persistentes, ansiedade, depressão e outros transtornos. Além disso, são terapias de baixo custo que ajudam a reduzir a dependência de medicamentos e a sobrecarga dos serviços de urgência e emergência.

Quando integradas à Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), as PICS fortalecem os laços entre equipes de saúde e comunidades, promovem o autocuidado e incentivam a participação ativa das pessoas na gestão da própria saúde.

Desafio e oportunidade

Promover as Práticas Integrativas no SUS não é apenas ampliar a oferta de tratamentos, mas consolidar um modelo de cuidado mais próximo da realidade brasileira — diverso, humano e centrado nas necessidades reais da população.

Para isso, é necessário que gestores públicos, profissionais da saúde e a sociedade civil atuem juntos no reconhecimento e valorização dessas práticas como política pública. O futuro do SUS depende da capacidade de inovar sem abandonar a memória e os saberes do povo.

Incorporar as práticas integrativas é dialogar com a ciência, com a cultura e com a natureza — por um cuidado mais justo, acolhedor e coerente com o Brasil real.

FONTE/CRÉDITOS: Thiago Almeida Coletivo TEAção