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Paternidade Atípica no Fala Mauá: Thiago Almeida Fala Sobre o Desafio e a Força da Inclusão
Em meio ao mês dedicado à conscientização do autismo, tivemos a oportunidade de conversar com Thiago Almeida, pai atípico, educador social, ativista e fundador do coletivo TEAção, que apoia famílias atípicas. Thiago, casado com Regiane Soares, psicóloga materno-infantil e atual presidente do coletivo, compartilhou reflexões profundas sobre o papel dos pais na jornada do autismo, a urgência da inclusão e a importância vital de estabelecer redes de apoio que aliviem a sobrecarga enfrentada pelas famílias atípicas.
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Thiago, o que significa para você ser um pai atípico?
"Ser pai atípico é uma jornada profundamente transformadora. Quando meu filho Mariano foi diagnosticado com autismo, tudo mudou. Passei a ver o mundo com novos olhos. É um chamado à responsabilidade, ao cuidado diário e ao ativismo. Não podemos ser apenas espectadores. Ser pai atípico significa estar presente, ouvir mais, acolher sem pressa e lutar por um mundo mais justo para nossos filhos."
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Como surgiu o coletivo TEAção e qual é seu propósito?
"O TEAção nasceu da dor, da necessidade e da força coletiva. Começou com conversas entre famílias como a nossa, que se sentiam isoladas, perdidas e sobrecarregadas. Compreendemos a importância de nos unirmos, ocuparmos espaços e demandarmos políticas públicas adequadas. Hoje, o coletivo representa uma rede de apoio e solidariedade. Promovemos encontros, debates, formações e atuamos como ponte entre informação e conscientização para autonomia. Nosso nome diz tudo: agimos, nos movimentamos e lutamos pela verdadeira inclusão."
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Qual é a importância da participação dos pais na jornada do autismo?
"É crucial. Durante muito tempo, a sociedade atribuiu exclusivamente às mães o cuidado com os filhos. Isso não é justo nem saudável. Os pais precisam assumir seu papel de cuidadores, proporcionando afeto e presença ativa. Não se trata apenas de 'ajudar', mas de compartilhar responsabilidades. Quando os pais estão presentes e engajados, a criança se desenvolve de maneira mais completa e equilibrada."
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Como você define 'rede de apoio' para famílias atípicas?
"Uma rede de apoio é tudo o que impede que uma mãe atípica se sinta sobrecarregada. Pode incluir familiares, amigos, vizinhos, profissionais sensíveis e grupos como o nosso coletivo. É sobre compartilhar tarefas, oferecer suporte emocional e prático, e acolher o cansaço. Quando uma família tem suporte, pode respirar aliviada, planejar o futuro e viver com mais qualidade. Sem uma rede de apoio forte, a verdadeira inclusão se torna difícil de alcançar."
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Qual mensagem você gostaria de deixar neste Abril, mês de conscientização sobre TEA?
"Quero reforçar que a inclusão não é um favor, é um direito. Começa com escuta ativa e empatia. O autismo não deve ser estigmatizado, mas compreendido e acolhido. Vamos trabalhar juntos para construir uma sociedade mais acessível, humana e compassiva. Encorajo os pais a se manifestarem, as escolas a se abrirem e as políticas públicas a se tornarem mais eficazes. Nenhuma mãe atípica deve enfrentar essa jornada sozinha; precisamos fortalecer e apoiar todas as famílias."
Este diálogo com Thiago Almeida destaca a importância vital da inclusão e do apoio mútuo para famílias que vivem com autismo, refletindo sobre desafios e esperanças compartilhadas.
ABCD NEWS