O AUTISMO ESTÁ NA MODA?

Não, o autismo NÃO é moda! Mas, pessoas autistas já foram vítimas da “moda” manicomial em nossa história. Inclusive, tristemente no Brasil, sofrem sequelas até hoje, pois os muros foram parcialmente derrubados, mas as mesmas condutas ainda permeiam as relações sociais. Nos últimos anos, o aumento no número de diagnósticos tem gerado debates e, infelizmente, também desinformação.

Uma das ideias equivocadas que se popularizou é a afirmação de que o autismo seria uma "moda", sugerindo que os diagnósticos são feitos de maneira leviana ou que se trata de um fenômeno temporário. Para os simpatizantes, é fácil fazer marketing e ações sobre o tema sem a participação efetiva de autistas, pais e mães atípicas.

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Por falar em moda, autistas já foram submetidos à “moda” do tratamento de eletrochoques e já passaram por procedimentos de lobotomia. Quando não estavam “na passarela” dos manicômios, viviam excluídos e “guardados” pelos seus parentes, que não tinham conhecimento, suporte ou ofertas de cuidado, assim, os mantinham dentro de casa, chegando até a acorrentá-los, na humilhação da vida simplesmente por serem o que são: AUTISTAS!

Não é coincidência que a visibilidade com relação ao autismo se dá, justamente, após o conjunto recente de leis que asseguram a pessoa autista como sujeito de direitos, com acesso à educação, trabalho, renda, prioridade na saúde, olhar específico na infância, somado ainda às leis antimanicomiais sobre cuidado em liberdade e pertencimento social com dignidade, além das atualizações diagnósticas.

Essa visão preconceituosa do senso comum sobre "autismo ser moda" minimiza décadas de avanços na ciência, desconsiderando o transtorno do espectro autista como condição neurológica complexa, reconhecida desde o século passado, e não uma tendência social. O aumento nos diagnósticos reflete maior acesso à informação, melhores ferramentas de avaliação e a ampliação da compreensão sobre os diferentes perfis dentro do espectro.

Atualmente, pelo fato de ampliarmos diagnóstico e abordagens no cuidado, sobretudo precocemente, somado à força da pauta da diversidade, há falas capacitistas assim: "Moda"! Especialistas ressaltam que essa ideia de “moda” é perigosa, pois reforça o estigma e minimiza os desafios enfrentados por pessoas autistas e suas famílias atípicas.

O autismo não é moda, mas uma realidade que exige respeito, acolhimento, conscientização e ação responsável. Fica a dica: Vamos retirar o preconceito social, pois os Autistas irão desfilar com nosso amor pela inclusão e na construção de políticas públicas inclusivas, na passarela da vida por equidade, quando tiverem fala e participação nas tomadas de decisões. Nada sobre nós sem nós!

FONTE/CRÉDITOS: Thiago Almeida Coletivo TEAção