Maio marca dois momentos de grande relevância social: o Mês do Trabalhador e o Mês das Mães. Apesar das comemorações, é também um período oportuno para refletir sobre quem permanece invisível no mundo do trabalho, seja por barreiras estruturais, seja por preconceitos ainda naturalizados.

É o caso das mães atípicas, mulheres que, ao se depararem com o diagnóstico de deficiência ou transtorno do neurodesenvolvimento em seus filhos, muitas vezes se veem obrigadas a abandonar suas carreiras. A sobrecarga com atendimentos terapêuticos, a luta por direitos básicos e a falta de políticas públicas que ofereçam suporte e renda ampliam os obstáculos já existentes para conciliar maternidade e vida profissional.

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Somam-se a isso as pessoas com deficiência, que representam cerca de 18,6 milhões de brasileiros, segundo o IBGE (2022). Embora exista a chamada Lei de Cotas (Lei 8.213/91), que obriga empresas com mais de 100 funcionários a destinarem de 2% a 5% das vagas para esse público, a efetividade da norma ainda enfrenta entraves importantes: falta de acessibilidade física e tecnológica, ausência de preparo das equipes e o capacitismo estrutural que impede crescimento dentro das organizações.

A realidade é ainda mais crítica para a neurodiversidade, especialmente em casos como o autismo. Ambientes corporativos rígidos, hiperestimulantes e desprovidos de políticas de adaptação razoável criam barreiras invisíveis, mas poderosas, à entrada e permanência desses profissionais.

No contexto familiar, os pais também devem ser convocados a assumir um papel mais ativo nos cuidados com os filhos — sobretudo em famílias atípicas. Ampliar a licença-paternidade, promover jornadas de trabalho flexíveis e estimular uma cultura de corresponsabilidade são medidas fundamentais para reduzir a desigualdade de gênero e fortalecer vínculos familiares.

A reflexão que se impõe neste mês é: quem está sendo deixado para trás? Falar sobre o Mês do Trabalhador e o Mês das Mães também é falar sobre inclusão, sobre quebrar barreiras, rever prioridades institucionais e reconhecer que equidade não é apenas uma meta, mas uma urgência.

Se quisermos construir um mundo do trabalho verdadeiramente justo e acessível, precisamos ampliar o olhar para além das estatísticas de emprego e celebrar também o avanço das políticas que garantem diversidade, respeito e dignidade para todas as famílias.

FONTE/CRÉDITOS: Thiago Almeida - Coletivo TEAção