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O Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) afastou 142 despachantes suspeitos de envolvimento em um esquema criminoso que facilita a transferência ilegal de veículos no Estado. As suspensões, que ocorreram entre os meses de abril e maio deste ano, fazem parte de uma investigação mais ampla sobre fraudes envolvendo a Autorização para Transferência de Propriedade do Veículo (ATPV), um documento essencial para que uma pessoa possa vender um veículo.
O esquadrinhamento da fraude e a ação do Detran
Segundo o Detran-SP, o esquema funcionava quando estelionatários se passavam por proprietários legítimos de veículos e solicitavam a ATPV para registrar o carro no nome de um terceiro, uma pessoa sem vínculo com o bem. A fraude prejudica o verdadeiro proprietário do veículo, que pode perder a posse do automóvel, que será transferido para o nome de um "laranja".
Em muitos casos, esse processo fraudulento era facilitado por despachantes, profissionais que deveriam formalizar a transferência com a devida documentação. No entanto, o que foi constatado pelo Detran foi que alguns desses despachantes não estavam formalizando contratos com os clientes, o que acabou por permitir que o esquema fosse executado de forma ilegal.
Como a Inteligência Artificial ajudou a identificar o esquema?
A apuração da fraude foi possível graças ao uso de um sistema de análise preditiva, desenvolvido com o auxílio de Inteligência Artificial. O sistema foi capaz de identificar padrões irregulares no comportamento de alguns despachantes, detectando um aumento súbito no número de transferências realizadas por certos profissionais. Isso gerou alertas que permitiram o bloqueio de operações suspeitas.
“Se um despachante tem uma média de 10 a 20 transferências diárias e, de repente, esse número aumenta significativamente, o sistema identifica essa mudança como um possível sinal de fraude, uma conduta fora da norma. Isso não significa necessariamente que o despachante está envolvido em um crime, mas sim que ele está demonstrando um comportamento fora do padrão, o que levanta suspeitas", explicou Vinícius Novaes, diretor de Veículos Automotores do Detran-SP.
Consequências para os profissionais envolvidos
Os 142 despachantes afastados terão de enfrentar um processo administrativo que pode resultar na cassação de sua licença profissional. Até o momento, 43 dos afastados já tiveram o processo concluído, com a revogação do acesso ao sistema e-CRVsp, uma plataforma essencial para o trabalho dos despachantes.
O Detran-SP atualmente conta com 6.490 despachantes cadastrados, e emite, em média, 136 mil documentos por dia. As investigações continuam, e aqueles que forem confirmados como responsáveis por fraudes poderão ser submetidos a investigações policiais e a processos legais.
Ações para prevenir fraudes em outros estados
Para evitar que o esquema de fraude migre para outros estados, o Detran-SP está intensificando a troca de informações com outros órgãos de trânsito e promovendo ações coordenadas em nível nacional. Wagner Sanchez, presidente do Conselho Regional dos Despachantes Documentalistas do Estado de São Paulo (CRDD/SP), defendeu o reforço na fiscalização e regulamentação da conduta dos despachantes. “São Paulo é o Estado brasileiro com a maior frota de veículos e a maior quantidade de despachantes, o que exige uma atenção redobrada para evitar esquemas fraudulentos”, afirmou.
O futuro da fiscalização e a ética na profissão
O Detran-SP reforça que a maioria dos despachantes não faz parte de esquemas fraudulentos. Contudo, a negligência de alguns profissionais acaba facilitando a ação de estelionatários. O órgão continua vigilante, com o objetivo de proteger a população e garantir que o processo de transferência de veículos ocorra de forma legal e segura.
ABCD NEWS