A Polícia Civil identificou um jovem de 24 anos como o principal articulador de uma rede de ódio com atuação em plataformas digitais. Bruce Vaz de Oliveira, que se apresentava como ativista ambiental, foi preso no último domingo (21), junto com outros dois envolvidos: Caio Nicholas Augusto Coelho, de 18 anos, e Kayke Sant Anna Franco, de 19. Um adolescente de 17 anos também foi apreendido.

De acordo com a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), o grupo compartilhava conteúdos de extrema violência em um servidor do Discord chamado “466”. Cenas de maus-tratos a animais eram transmitidas ao vivo e utilizadas como instrumento para atrair e aliciar adolescentes. A polícia afirma que Bruce, sob o codinome “Jihad”, organizava transmissões e coordenava os integrantes.

Segundo as investigações, o grupo chegou a planejar o assassinato de um homem em situação de rua, que seria executado e exibido ao vivo na mesma plataforma. A operação foi deflagrada com base em dados fornecidos pelo Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça.

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Funções na rede criminosa

Bruce era o líder e principal responsável pela estruturação da comunidade criminosa. Caio Nicholas, identificado pelo apelido “Sync”, era o coadministrador do grupo e atuava diretamente no aliciamento de adolescentes, além de produzir conteúdos de teor racista. Já Kayke, conhecido como “Fearless”, tinha a função de moderar o servidor, instigar membros a práticas violentas e incentivar a automutilação entre jovens.

A rede utilizava linguagem codificada, memes e símbolos visuais para burlar os filtros da plataforma e dificultar a identificação por parte de moderadores e autoridades. Relatórios técnicos do Ministério da Justiça foram fundamentais para a coleta de provas.

Acusações e medidas legais

Os envolvidos vão responder por associação criminosa, incitação ao crime, maus-tratos com agravantes, corrupção de menores, indução ao suicídio e crimes de intolerância racial. Equipamentos eletrônicos foram apreendidos para análise. A polícia não descarta novas prisões.

Em nota, o Discord declarou que “possui políticas rigorosas contra discurso de ódio, incitação à violência e conteúdos nocivos”, e que colabora com as autoridades nas investigações.

A operação reforça o alerta sobre o uso criminoso de redes sociais para disseminação de ódio e violência, especialmente entre jovens e adolescentes.

FONTE/CRÉDITOS: G1