Em março de 2025, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a notificar pessoas que receberam de forma indevida o Auxílio Emergencial — benefício criado para auxiliar trabalhadores em situação de vulnerabilidade no auge da pandemia de covid-19. A partir desse momento, circulou um vídeo nas redes sociais com mais de 21 mil visualizações desde 13 de outubro de 2025, afirmando que todos os beneficiários teriam que devolver os valores recebidos. Contudo, a realidade é distinta: apenas aqueles que não preenchiam os requisitos de elegibilidade devem restituir o montante à União.
A frase que viralizou — “Bolsonaro, o malvadão, deu o auxílio emergencial ao povo. Lula, o pai dos pobres, mandou o povo devolver” — tem circulado em publicações no Facebook, Instagram, Threads, YouTube e TikTok. Algumas delas exibem trecho de reportagem do Record TV, datada de 8 de outubro de 2025. Mesmo nesse fragmento, fica claro que a cobrança vale apenas para quem não se encaixava nas regras do programa.
O Auxílio Emergencial foi criado na gestão de Jair Bolsonaro (PL) em abril de 2020 para apoiar informais, autônomos, desempregados e microempreendedores individuais durante a pandemia. Em 9 de março de 2022, Bolsonaro assinou decreto que prevê a restituição à União em caso de recebimento irregular do benefício.
A declaração que todos teriam de devolver contraria os fatos: o processo de cobrança instaurado pelo governo federal em março de 2025 atinge somente aqueles que não atendiam aos critérios para receber o auxílio.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), estão excluídos desse processo de cobrança beneficiários do Bolsa Família e inscritos no Cadastro Único, quem recebeu valores inferiores a R$ 1,8 mil ou cuja renda familiar per capita seja de até dois salários mínimos ou renda mensal familiar de até três salários mínimos. A pasta informa que 177,4 mil famílias receberam o auxílio indevidamente, totalizando cerca de R$ 478,8 milhões que precisam ser restituídos aos cofres públicos.
As notificações para quem deverá devolver os valores estão sendo enviadas por SMS, WhatsApp, e-mail e pelo aplicativo Notifica. O pagamento da restituição é feito por meio do sistema VEJAE, onde o beneficiário pode consultar sua situação, efetuar o pagamento ou apresentar contestação.
Quem não realizar a devolução no prazo poderá ter seu nome inscrito na Dívida Ativa da União, conforme previsto no decreto de 2022.

ABCD NEWS
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