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O soldado da Polícia Militar Luiz Guilherme Crispim de Oliveira, de 30 anos, foi brutalmente assassinado durante uma romaria a pé rumo ao Santuário Nacional de Aparecida, na madrugada de sábado (11). O policial, que era devoto de Nossa Senhora, participava da peregrinação pela segunda vez. Ele deixa dois filhos pequenos — uma menina de 1 ano e 4 meses e um menino de 4 anos.
Segundo relato da esposa, Aline da Silva Costa, o marido foi morto “por ser policial”. O criminoso teria percebido o símbolo da PM em seu colete e atirado, mesmo após o soldado levantar as mãos e tentar entregar a mochila. O crime ocorreu na altura do km 55 da Rodovia Presidente Dutra, em Lorena, interior paulista. Crispim chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Dois companheiros de caminhada foram baleados de raspão.
Durante o velório, em Cruzeiro, familiares e colegas da corporação prestaram homenagens e exigiram justiça. “Ele era um homem de fé, de caráter, e sonhava com o futuro dos filhos”, lamentou a esposa, emocionada. O corpo foi sepultado com honras militares no Cemitério Jardim Santa Casa, sob aplausos e sirenes ligadas em reverência.
Crispim integrava a 4ª Companhia do 23º Batalhão da PM desde 2015. Em nota, o comandante tenente-coronel Rodrigo dos Santos Iacovantuono destacou o profissionalismo e a dedicação exemplar do policial. “Crispim dedicou dez anos de sua vida ao serviço público com coragem, respeito e compromisso com a sociedade paulista”, declarou.
A tragédia ocorreu no mesmo fim de semana em que outro peregrino, o estudante Gustavo Henrique dos Santos Pereira, de 19 anos, também foi morto durante uma tentativa de assalto em Cachoeira Paulista. O jovem teria se recusado a entregar o celular ao criminoso e foi atingido na cabeça.
Os casos reacenderam o debate sobre a segurança dos romeiros que participam da caminhada até Aparecida. O arcebispo Dom Orlando Brandes pediu medidas urgentes para proteger os fiéis. “A Dutra virou um santuário de fé, mas também de perigo. Precisamos resguardar a vida de quem caminha com devoção”, afirmou.
O Santuário Nacional registrou recorde de público neste ano: quase meio milhão de devotos visitaram o local entre 3 e 12 de outubro. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, cerca de 40 mil fiéis fizeram o trajeto a pé.
Enquanto as investigações seguem, a dor e a revolta tomam conta da comunidade de Cruzeiro, que agora chora pela perda de um pai, marido e policial dedicado.
ABCD NEWS
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