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Dez anos se passaram desde que o sergipano José Victor Menezes Teles chamou a atenção do Brasil ao ser aprovado no curso de medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS) com apenas 14 anos. Hoje, prestes a concluir sua residência médica, ele se prepara para um novo desafio: inaugurar um Centro Médico na cidade onde nasceu.
José Victor ficou conhecido nacionalmente em 2015 quando sua história viralizou. Mesmo aprovado em sétimo lugar no vestibular, sua entrada na universidade foi cercada de desafios legais, pois ele ainda não havia concluído o ensino médio. Determinado, recorreu à Justiça para conseguir autorização para realizar provas de proficiência, equivalentes a um supletivo, garantindo assim o certificado necessário para ingressar no curso.
"As pessoas acham que entramos na Justiça para forçar a universidade a me aceitar, mas, na verdade, a UFS nunca barrou minha entrada. O que fizemos foi solicitar a conclusão do ensino médio por meio de provas, o que foi inicialmente negado, mas conseguimos reverter", relembra.
Aos 15 anos, José Victor começou oficialmente sua jornada na medicina e, em 2016, resolveu refazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O resultado? Uma nova aprovação, dessa vez em segundo lugar. "Foi uma forma de provar que não foi sorte", brinca.
Durante a pandemia da Covid-19, antes mesmo de se formar, ele atuou na linha de frente, acumulando mais de 700 horas de trabalho. Com a emergência sanitária, o governo federal antecipou a formatura de centenas de estudantes de medicina em 2021, e ele estava entre eles.
Agora, aos 24 anos, ele se prepara para concluir sua residência em ginecologia e obstetrícia, especialidade que escolheu após seu contato direto com a área durante a pandemia. "Foi nesse período de tantas perdas que decidi seguir esse caminho. Poder atuar na geração de novas vidas é algo que enche meu coração de alegria", afirma.
Com a residência chegando ao fim em março deste ano, José Victor planeja inaugurar um Centro Médico na região Agreste de Sergipe, onde pretende atuar ao lado da noiva, a também médica obstetra Catarina Fagundes. "Nos conhecemos durante um módulo da residência e desde então nos tornamos uma dupla: operamos juntos, damos plantão juntos e seguimos evoluindo juntos", conta.
Natural de Itabaiana, cidade com cerca de 100 mil habitantes a 55 km de Aracaju, José Victor nunca perdeu sua conexão com o lugar onde cresceu. "Desde que me formei, trabalho aqui e já ajudei a trazer ao mundo mais de 200 itabaianenses. Faço questão de anotar cada nome, data e hora de nascimento dos bebês que ajudei a trazer ao mundo", confidencia.
De menino prodígio a profissional respeitado, a trajetória de José Victor segue inspirando não apenas sua cidade natal, mas todo o Brasil.
ABCD NEWS