Após o brutal assassinato de Gabriela Mariel Silvério, militante do Movimento de Mulheres Olga Benario, um prédio abandonado na região central de Mauá foi ocupado por integrantes do movimento. A ação recebeu o nome de “Helenira Preta Vive: por Justiça por Gabriela Mariel” e visa denunciar o feminicídio e cobrar respostas do poder público.

Gabriela, mãe solo, pessoa com deficiência e trabalhadora em regime de escala 6x1, foi morta pelo companheiro na madrugada de domingo (8), no bairro Paranavaí, em Mauá. Ela era uma das principais lideranças do movimento na cidade e atuou em diversas frentes, incluindo a coordenação da Ocupação da Mulher Operária, em São Caetano, e a luta por uma Delegacia da Mulher com funcionamento 24 horas em Mauá.

Com sua morte, o número de feminicídios no ABC em 2025 chega a seis — um aumento de 50% em comparação ao mesmo período do ano passado.

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Segundo integrantes do Olga Benario, Gabriela estava na lista de beneficiárias do programa Minha Casa, Minha Vida Entidades. As moradias, porém, seguem sem previsão de entrega. “Gabriela poderia estar viva se estivesse na casa que deveria ter sido entregue em 8 de março”, lamenta Júlia Calchi, amiga da vítima.

O movimento exige, ainda, que a prefeitura de Mauá cumpra a promessa de campanha de ceder um imóvel ao movimento e que seja garantida pensão à filha de Gabriela.

A ocupação também chama atenção para os cortes nas políticas de proteção às mulheres no estado de São Paulo. Em 2023, o governo estadual cortou 71,6% da verba destinada às Delegacias da Mulher, e em 2024, congelou 96% do orçamento previsto para o enfrentamento da violência de gênero.

“Gabriela recolheu centenas de assinaturas pedindo uma Delegacia da Mulher 24h em Mauá. Ocupamos pela vida das mulheres, por justiça e para que mais nenhuma companheira seja silenciada pela violência”, afirmou Maria Clara, coordenadora regional do Movimento Olga Benario.

FONTE/CRÉDITOS: Weslen Bianco