A empresária Renata Brás da Silva registrou boletim de ocorrência contra o ex-marido, o vereador Zé Carlos Nova Era (PL), em Mauá. No documento, ela afirma que o parlamentar teria aproveitado uma viagem dela com a filha caçula para entrar na residência onde vive e trocar as fechaduras, impedindo seu retorno ao imóvel localizado no Jardim Pedroso.

Segundo Renata, o episódio ocorreu após um período em que ela esteve fora da cidade com a filha de 12 anos. Ao voltar da viagem, relatou que não conseguiu acessar a casa, que considera sua moradia. A empresária sustenta que o ex-companheiro não poderia, em suas palavras, “fazer uma posse forçada” para depois negociar o bem.

Ela também aponta possível descumprimento de uma medida protetiva que, de acordo com seu relato, está em vigor desde março de 2025. Renata menciona uma ocorrência anterior, em julho, quando teria havido ingresso não autorizado no imóvel e dano ao portão. O histórico do ex-casal inclui denúncias de agressões, disputas judiciais e conflitos em torno da partilha de bens desde 2022.

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Em declarações à imprensa, Renata afirma que as agressões ocorreram e diz viver com receio de se expor em Mauá, preferindo frequentar apenas locais fora da cidade. Ela também relaciona o caso a um contexto mais amplo de violência contra a mulher, mencionando episódios de intimidação, controle patrimonial e pressões psicológicas.

Procurado, Zé Carlos Nova Era negou qualquer irregularidade e afirmou que não vê “fato novo” que justifique repercussão do caso. O vereador diz que o imóvel em questão está em seu nome, que houve divórcio consensual com previsão para desocupação da casa em prazo acordado e que a medida protetiva teria sido usada, segundo sua versão, para impedir que retomasse a posse do bem. Ele afirma ainda que não descumpriu a ordem judicial, pois a ex-esposa não estava presente no momento em que foi ao endereço.

O parlamentar declara que deseja apenas “tranquilidade” para seguir a rotina e nega manter contato com a ex-companheira desde a separação. Já Renata diz continuar buscando amparo nas autoridades e afirma temer novas situações de violência.

O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher e deve seguir em análise pelas autoridades competentes, que irão avaliar os relatos, documentos e eventuais provas apresentadas pelas partes.

Em 2022, circularam nas redes sociais fotos de Renata com hematomas no rosto. Foto: Reprodução
Em 2022, circularam nas redes sociais fotos de Renata com hematomas no rosto. Foto: Reprodução

 

Denúncia de fraude em licitação

Além das questões na esfera pessoal, o vereador Zé Carlos Nova Era também responde a uma denúncia na área criminal. O Ministério Público de São Paulo o acusa de participação em um esquema de fraude em licitação e recebimento de propina relacionado a um contrato milionário firmado quando ele presidia a Câmara Municipal de Mauá, em dezembro de 2021.

Segundo a acusação, o esquema teria direcionado uma concorrência para a contratação de uma empresa responsável pela digitalização de documentos do Legislativo, operação na qual o vereador teria recebido cerca de R$ 595,7 mil em vantagem indevida. A licitação, conforme narrado na denúncia, foi conduzida de forma acelerada, às vésperas do Natal, com baixa transparência sobre o procedimento.

Questionado sobre o caso, o parlamentar afirma que se trata de um processo antigo, em segredo de Justiça, e diz que a denúncia não foi acolhida pelo Judiciário. Ele também alega que pedidos de bloqueio de bens foram negados e relaciona a repercussão do assunto ao período pré-eleitoral, dizendo considerar a publicação de reportagens sobre o tema como tentativa de exploração política.