Mais de quatro anos após deixar a Prefeitura de Mauá, a gestão de Atila Jacomussi (União Brasil) ainda é apontada como um peso nas finanças do município. Segundo dados do governo do atual prefeito Marcelo Oliveira (PT), o valor de precatórios saltou de R$ 200 milhões para R$ 380 milhões desde o início de 2021, reflexo de processos movidos por fornecedores que, entre 2017 e 2020, não receberam pelos serviços prestados. A conta, no entanto, pode chegar a R$ 653 milhões caso outras ações ainda em andamento também resultem em condenações.

Os dados foram apresentados com exclusividade , e revelam que, ao assumir a Prefeitura, Marcelo Oliveira herdou R$ 200 milhões em precatórios. Desde então, a Justiça tem dado ganho de causa a diversos fornecedores, principalmente nas áreas de Saúde, Mobilidade Urbana e Serviços Urbanos, elevando a dívida em mais R$ 180 milhões.

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A situação teve origem na instabilidade política que marcou a gestão de Atila, interrompida duas vezes por prisões do então prefeito durante a Operação Prato Feito — investigação da Polícia Federal sobre corrupção na área da Educação em diversas cidades paulistas, incluindo Mauá. Em seus afastamentos, a vice-prefeita Alaíde Damo (à época no MDB) assumia o comando do Executivo e promovia mudanças profundas na equipe, reiniciando a administração a cada troca de gestão. Atila retornou ao cargo em setembro de 2019 e permaneceu até o fim de seu mandato, em 31 de dezembro de 2020.

Ainda segundo a atual administração, há 127 processos em andamento nos tribunais, com potencial de elevar em mais R$ 273 milhões o passivo da cidade. A Prefeitura avalia que as chances de reverter essas decisões são mínimas.

Diante do cenário, a gestão petista encaminhou à Câmara Municipal projetos que visam aliviar a pressão sobre o caixa da cidade. Entre as propostas, está a autorização para novos modelos de negociação com os credores, como parcelamento de débitos inscritos em dívida ativa, permuta com imóveis públicos e uso de valores oriundos de outorgas e concessões públicas. As propostas seguem em análise nas comissões do Legislativo.

 

FONTE/CRÉDITOS: Weslen Bianco