O Infarto Agudo do Miocárdio mantém sua posição como principal causa de morte no Brasil, revela o Ministério da Saúde. O que antes parecia ser uma preocupação mais associada a idades avançadas e hábitos específicos, agora impacta variadas faixas etárias e estilos de vida.

Segundo o Ministério, fatores como tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, altos níveis de colesterol e excesso de estresse desempenham papéis cruciais no aumento do risco de um infarto. Indivíduos diabéticos e hipertensos enfrentam um risco de duas a quatro vezes maior de sofrerem um episódio cardíaco agudo.

Apesar da associação mais comum a pessoas mais velhas ou àqueles que apresentam um dos fatores de risco mencionados, o ataque cardíaco não se restringe a esses grupos específicos.

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O Dr. Mario Augusto Cray da Costa, médico e cirurgião cardiovascular, esclarece que, em alguns casos, anomalias nas artérias, difíceis de detectar, podem contribuir para infartos em jovens com estilos de vida saudáveis. Ele ressalta que embora os casos sejam mais frequentes em homens acima de 50 anos e mulheres após a menopausa, os riscos aumentam gradualmente e diversas causas de morte cardíaca precoce também existem.

Os números assinalam um crescimento alarmante nos registros de infartos no Brasil, mais que dobrando nos últimos 15 anos. O Instituto Nacional de Cardiologia revela que as internações resultantes desse problema aumentaram em quase 160% nesse período, com um crescimento ainda maior, cerca de 10% acima da média, entre jovens com até 30 anos, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Um exemplo recente é o caso de Danilo de Campos, um personal trainer de 31 anos no Paraná, que mantinha uma rotina rigorosa de exercícios e uma dieta monitorada por um nutricionista, sem problemas de saúde diagnosticados, conforme relato da esposa.

O Dr. Cray da Costa destaca que, mesmo diante de hábitos saudáveis, é a prática regular de exercícios físicos que contribui para uma vida mais longa e saudável. Ele enfatiza a correlação entre a diminuição do risco de infarto e a frequência de atividades físicas, citando estudos científicos.

Enumerando as principais causas de infarto em jovens, o médico lista:

Colesterol alto, muitas vezes relacionado à hipercolesterolemia familiar, uma anomalia genética que expõe o indivíduo a altos níveis de colesterol desde a infância.

Anomalias nas artérias coronárias, uma condição congênita de difícil detecção em exames de rotina, que pode levar ao infarto devido à compressão da artéria coronária entre outras artérias de grande calibre.

Uso de drogas sintéticas ou semissintéticas, como cocaína e anabolizantes, que podem acelerar os batimentos cardíacos e afetar o funcionamento de órgãos vitais, contribuindo para ataques cardíacos.

Os sintomas de um infarto podem variar, mas entre os principais estão dor ou desconforto na região peitoral, podendo se estender para as costas, rosto, braço esquerdo e, ocasionalmente, braço direito, além de sensação de peso ou aperto no tórax, suor frio, palidez, falta de ar e sensação de desmaio. O Ministério da Saúde reforça a importância de buscar ajuda médica imediatamente ao sentir qualquer um desses sinais.

Tanto o Ministério da Saúde quanto o Dr. Cray da Costa destacam a importância da prevenção, enfatizando a prática regular de atividades físicas, uma dieta equilibrada, evitar o consumo de álcool e não fumar. O Dr. Costa ressalta ainda a recomendação da Organização Mundial da Saúde, que estipula um mínimo de 150 a 300 minutos de atividade física por semana para não ser considerado sedentário.

 

FONTE/CRÉDITOS: Ministério de saúde