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O abandono paterno é uma ferida silenciosa que afeta milhões de crianças no Brasil. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de 5,5 milhões de registros de nascimento não possuem o nome do pai. Essa ausência vai além do físico, refletindo também no afeto e no apoio social, prejudicando o desenvolvimento emocional, social e educacional das crianças.
Quando se trata de crianças com deficiência, especialmente no espectro autista, a ausência paterna agrava barreiras já existentes, sobrecarrega as mães e limita oportunidades essenciais de estimulação e interação. A figura paterna — ou qualquer referência masculina que exerça esse papel — não se resume ao sustento financeiro. Sua presença ativa contribui para autoestima, segurança e autonomia infantil, sendo ainda mais decisiva para crianças atípicas, favorecendo a comunicação, a regulação emocional e o enfrentamento de desafios.
Apesar da importância, o Brasil ainda carece de políticas públicas estruturadas para combater o abandono paterno e incentivar a corresponsabilidade. Entre as medidas necessárias estão: licença-paternidade estendida, programas de capacitação em cuidados inclusivos e campanhas de conscientização sobre o papel do pai. Na inclusão, é essencial orientar e preparar pais para as necessidades específicas das crianças com deficiência, evitando o afastamento e a sobrecarga materna.
Valorizar os pais que ficam, dividem responsabilidades e se envolvem ativamente é fundamental. Esses homens rompem padrões culturais, tornam-se pilares afetivos e sociais e ajudam a transformar a realidade da inclusão no Brasil. O engajamento paterno alivia o peso emocional e físico das mães atípicas e cria um ambiente familiar mais equilibrado.
A inclusão começa em casa. Por isso, garantir a presença e a participação de figuras paternas — biológicas ou não — é investir em cidadãos mais seguros, afetivos e preparados. Políticas públicas inclusivas, redes de apoio e ações educativas voltadas à paternidade são passos essenciais para que nenhuma criança, especialmente com deficiência, cresça privada de afeto e presença.
ABCD NEWS