Com a apuração praticamente concluída, o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 confirmou um cenário mais apertado do que indicavam as últimas pesquisas: Flávio Bolsonaro (PL) terminou na frente de Lula (PT) e os dois disputarão o segundo turno no dia 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro alcançou aproximadamente 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve cerca de 53,9 milhões de votos, ou 45,16% dos válidos. A diferença entre os dois é de aproximadamente 2,23 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual.

Fonte de pesquisa Data Folha e Quaest
Fonte TJE

Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno está confirmado. A disputa será marcada pela menor diferença de votos entre os dois mais votados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.

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Pesquisas e resultado da urna

Na véspera da votação, o Datafolha apontava Lula com 45% dos votos válidos, contra 40% de Flávio Bolsonaro. A Quaest, por sua vez, registrava Lula com 46% e Flávio com 45%, em empate técnico.

O resultado da urna, portanto, representou uma inversão em relação aos levantamentos divulgados na reta final da campanha. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente, enquanto Lula manteve uma votação expressiva, mas abaixo da liderança.

O desafio da terceira via

O segundo turno será influenciado pelo comportamento dos eleitores dos candidatos eliminados, especialmente Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Juntos, esses três nomes receberam milhões de votos no primeiro turno e formam o principal contingente de eleitores ainda não alinhados diretamente aos dois finalistas.

Segundo a última pesquisa Quaest, divulgada na véspera da votação, a migração declarada é mais favorável a Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores de Renan Santos, 60% afirmaram que votariam em Flávio e 11% em Lula. Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, 43% disseram que votariam em Flávio e 19% em Lula. Já entre os eleitores de Augusto Cury, 34% apontaram Flávio e 23%, Lula.

A ressalva fundamental

Os percentuais, porém, não podem ser tratados como uma distribuição completa dos votos. Na mesma pesquisa, 41% dos eleitores de Cury, 36% dos eleitores de Caiado e 27% dos eleitores de Renan Santos declararam que votariam branco, nulo ou não compareceriam ao segundo turno.

Isso significa que uma parcela relevante do eleitorado da terceira via pode não se transferir automaticamente para Lula ou Flávio Bolsonaro. A decisão final também pode mudar com a campanha, os debates, as alianças e os temas que dominarem o segundo turno.

Fonte de pesquisa Data Folha e Quaest
Fonte de pesquisa  Quaest

Simulação de migração

Ao aplicar mecanicamente os percentuais de migração declarados na Quaest sobre os votos efetivamente obtidos por Cury, Caiado e Renan Santos, a simulação indica que Flávio Bolsonaro capturaria mais votos do que Lula entre o eleitorado dessas candidaturas eliminadas.

Considerando apenas os votos que migrariam para um dos dois finalistas, o exercício matemático aponta um cenário próximo de 52% para Flávio Bolsonaro e 48% para Lula.

Fonte de pesquisa Data Dolha e Quaest
Fonte de pesquisa Data Dolha e Quaest

Importante: não se trata de uma previsão eleitoral. Trata-se de uma simulação baseada no comportamento declarado pelos eleitores em pesquisas realizadas antes do primeiro turno. O segundo turno terá nova campanha, novos debates e decisões que podem alterar completamente esse quadro.

O que vem agora

A urna mostrou um país dividido e uma disputa mais equilibrada do que apontavam as pesquisas. O segundo turno, marcado para 25 de outubro, definirá qual candidato conseguirá converter a mobilização eleitoral em voto efetivo — e qual lado conseguirá atrair o eleitorado que ainda não se decidiu.