Mauá chega aos 71 anos no próximo dia 8 de dezembro carregando uma história marcada por contrastes: crescimento rápido, planejamento urbano frágil, desigualdade entre bairros e sucessivos escândalos políticos que comprometeram décadas de desenvolvimento. Mas também há registros de avanços importantes — especialmente nos últimos anos — que indicam um esforço para reorganizar a cidade depois de ciclos longos de instabilidade.

A linha férrea continua simbolizando a divisão entre “lado de cima” e “lado de baixo”, uma expressão que sintetiza a realidade de uma cidade que cresceu de forma desigual. Enquanto o lado central recebeu a estrutura original — água, esgoto, terminal, iluminação, bancos e serviços — o restante do território se expandiu sem diretrizes urbanas claras, gerando bairros densos, carentes e muitas vezes esquecidos pelo poder público.

 

UPAs sucateadas, falta de médicos, longas filas e unidades fechadas durante períodos de instabilidade política.

Leia Também:

 

UMA HISTÓRIA TURBULENTA QUE MARCOU O DESTINO DA CIDADE

 

▪ Leonel Damo (1983–1988 / 2005–2008)

Avanços como asfaltamento e construção do terminal central caminharam lado a lado com denúncias de má gestão, dívidas acumuladas e apagamento de símbolos históricos como o Jardim Japonês e a Fonte Luminosa. Seu governo é visto por muitos como o início do grande endividamento público.

▪ O colapso financeiro dos anos 1980 e 1990

Contratos mal planejados e precatórios se acumularam, criando uma dívida que atravessaria décadas e impactaria serviços essenciais.

▪ Márcio Chaves (1996)

O candidato do PT liderou o primeiro turno, mas teve sua candidatura cassada às vésperas da decisão final, num dos episódios eleitorais mais polêmicos da história do município. Diniz Lopes assumiu interinamente até o desfecho.

▪ Donisete Braga (2012–2016)

Com trajetória marcada por pautas sociais, Donisete representou a ascensão da ala popular-progressista. Seu governo ampliou políticas sociais, mas também enfrentou críticas administrativas e disputas internas.

▪ Átila Jacomussi (2017–2020)

Protagonista da Operação Trato Feito, o prefeito foi preso pela PF sob suspeita de recebimento de propina e desvio de contratos. O caso, que envolveu 22 dos 23 vereadores, tornou-se o maior escândalo da história de Mauá. Átila chegou a ser cassado, voltou ao cargo pela Justiça e encerrou o mandato sob forte polarização.

▪ Operações da PF: Prato Feito e Trato Feito

Fraudes em uniformes escolares, dinheiro apreendido em casas de políticos, contratos irregulares e a explosão de denúncias elevaram Mauá ao noticiário nacional — sempre pelos piores motivos.

 

 

Se o passado da cidade é marcado por rupturas, o futuro pode ser guiado pela participação popular, pela cobrança contínua e por uma gestão que tenha coragem de enfrentar problemas estruturais ignorados por décadas.

Mauá chega aos 71 anos com cicatrizes, mas também com potencial extraordinário — uma cidade que aprendeu a se levantar e que agora busca se reinventar.

FONTE/CRÉDITOS: WESLEN BIANCO