Os Centros de Detenção Provisória (CDPs) do Grande ABC estão operando com lotação acima do ideal, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Atualmente, abrigam 2.975 presos provisórios, enquanto sua capacidade é para 2.624, representando uma superlotação de 13%. Embora a situação tenha melhorado desde 2009, quando o número de detentos ultrapassava 5.000, ainda há desafios. Apenas o CDP de São Bernardo não está superlotado, com 84% de ocupação. No entanto, unidades como Santo André, Mauá e Diadema enfrentam superlotação mais intensa, chegando a abrigar 32% a mais de presos do que suas capacidades originais.

A SAP menciona operar abaixo do limite estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, que permite uma sobrepopulação de até 37,5%. Para lidar com essa questão, a secretaria destaca a inauguração de novos presídios, embora não tenha citado planos específicos para o Grande ABC. Medidas como a promoção de penas alternativas e mutirões para agilizar processos também são incentivadas.

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Camila Nunes Dias, doutora em sociologia e professora da UFABC, enfatiza que a superlotação e as más condições das prisões brasileiras contribuem para o surgimento de facções criminosas. Ela destaca a necessidade de enfrentamento direto desse problema pelo poder público, indo além da abordagem punitiva tradicional, buscando soluções que não se baseiem apenas na repressão policial.