Espaço para comunicar erros nesta postagem
A morte do mecânico Clayton Juliano da Silva, de 38 anos, segue repercutindo intensamente em Mauá e em todo o país. Clayton foi assassinado no último domingo (27), após uma discussão banal de trânsito na Avenida Barão de Mauá. O autor dos disparos foi o policial militar Kaio Lopes Raimundo, de 32 anos, que estava à paisana e foi preso em flagrante.
Clayton estava no carro com a esposa, a sogra e o sobrinho de apenas 9 anos, que também foi baleado. O menino continua internado em estado estável no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
Na tarde de segunda-feira (28), uma multidão comoveu-se durante o sepultamento no Cemitério Santa Lídia, em Mauá. O velório foi marcado por uma forte presença popular, com centenas de amigos, familiares e admiradores do mecânico — muitos deles integrantes de clubes de veículos antigos. Clayton era apaixonado por carros, especialmente pelas clássicas peruas, e por esse motivo, seu caixão foi conduzido até o jazigo em uma delas, em um cortejo emocionante.
A cerimônia foi acompanhada ao vivo por grandes emissoras de televisão, tamanha a comoção que o caso gerou. A despedida virou símbolo da dor coletiva e da luta por justiça. Entre aplausos e lágrimas, os presentes prestaram uma última homenagem a um homem simples, trabalhador e muito querido na comunidade.
"ELE NÃO ERA UM BANDIDO, ERA UM PAI DE FAMÍLIA"
Durante o enterro, amigos e familiares expressaram revolta. “Você sai de casa, dá uma buzinada porque tem uma moto na sua frente, e a pessoa vem e te mata. A polícia está na rua para proteger, não para causar medo”, desabafou o amigo Edgar Rodrigues, de 38 anos. “Não estou generalizando, mas não podemos aceitar que alguém tire a vida de outro só porque carrega uma farda ou uma arma.”
O caso gerou indignação nas redes sociais, e diversos internautas e veículos de imprensa exigem que o crime não caia no esquecimento. Clayton fazia parte do grupo de carros antigos Popular Nation, onde era conhecido pelo bom humor e paixão automotiva.
O PM Kaio Raimundo teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva e está atualmente detido no Presídio Militar Romão Gomes, na capital.
A morte de Clayton é, até agora, considerada a mais impactante entre os três casos de policiais envolvidos em mortes no Grande ABC em menos de uma semana. Uma tragédia que levanta novamente o debate sobre o controle de armas, o preparo emocional de agentes de segurança e os limites da autoridade.
ABCD NEWS