O número de diagnósticos de câncer entre jovens adultos de até 50 anos mais que triplicou no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos 11 anos, revelando uma mudança preocupante no perfil da doença. Dados do DataSUS indicam que os registros saltaram de 45,5 mil casos em 2013 para quase 175 mil em 2024 — um crescimento de 284%.

Os tipos mais comuns entre os jovens são os tumores de mama, colorretal e fígado, refletindo uma tendência global impulsionada por fatores de estilo de vida, alimentação ultraprocessada, estresse e sedentarismo.

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A operadora de caixa Jaqueline Chagas, diagnosticada com câncer de mama aos 36 anos, é um dos rostos por trás dessas estatísticas. “A médica olhou para a colega e disse: ‘Mais uma jovem com câncer de mama’. Foi assim que descobri”, relembra. Jaqueline passou por quimioterapia, mastectomia e complicações graves, superando uma sepse após dias de incerteza no Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Rio de Janeiro.


🚨 LACUNA NOS DADOS E DESAFIO NO SUS

Especialistas apontam que o número real de casos pode ser ainda maior. O Brasil não possui dados completos da rede privada, e a notificação de câncer não é obrigatória nos planos de saúde, que atendem cerca de 25% da população.

“Estamos subestimando a dimensão do problema”, alerta o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas. O Ministério da Saúde mantém apenas estimativas gerais, sem integrar os registros do setor privado.


📈 CRESCIMENTO ACENTUADO DO CÂNCER COLORRETAL

Entre os tumores que mais avançam, o colorretal preocupa os médicos: os diagnósticos aumentaram 160% entre 2013 e 2024. O oncologista Samuel Aguiar, do A.C. Camargo Cancer Center, explica que “90% dos casos estão ligados a hábitos alimentares, sedentarismo e obesidade”.

A baixa adesão a exames preventivos, como a colonoscopia, contribui para o diagnóstico tardio — muitos jovens descobrem o tumor apenas em estágios avançados.


🧬 NOVO PERFIL DE PACIENTES

O câncer deixou de ser uma doença associada apenas à idade. Hoje, atinge pessoas jovens, ativas e em plena fase produtiva, impactando famílias e carreiras. “São pacientes que cuidam dos filhos, trabalham e, de repente, recebem um diagnóstico devastador”, diz Stefani.

Médicos associam o aumento à rotina acelerada, má alimentação, sobrepeso e noites mal dormidas. A obesidade, por exemplo, é apontada como um fator inflamatório que estimula mutações celulares.


💡 PREVENÇÃO E RASTREAMENTO

Segundo a médica nuclear Sumara Abdo, do INCA, o sistema ainda não está preparado para identificar precocemente casos em pacientes abaixo dos 50 anos. Ela defende a inclusão dessa faixa etária nos programas de rastreamento e campanhas de prevenção.

As principais recomendações são:

  • Manter alimentação rica em fibras, frutas e vegetais;

  • Reduzir o consumo de ultraprocessados e álcool;

  • Praticar exercícios regularmente;

  • Realizar exames conforme orientação médica.


🌍 UM ALERTA GLOBAL

O aumento de casos entre jovens é uma tendência mundial, conforme estudo da revista Nature Medicine. Países industrializados têm visto a mesma escalada, influenciada pelo estilo de vida moderno, poluição e desequilíbrios da microbiota intestinal.

“No Brasil, o cenário é agravado pela desigualdade e pelo diagnóstico tardio”, resume Stefani.


⚠️ SINAIS DE ALERTA

Fique atento a sintomas persistentes, mesmo que pareçam leves:

  • Perda de peso sem causa aparente;

  • Sangue nas fezes ou urina;

  • Nódulos firmes e persistentes;

  • Alterações intestinais;

  • Cansaço extremo;

  • Sangramentos anormais.

O diagnóstico precoce aumenta em até 90% as chances de cura, reforçam os especialistas.

FONTE/CRÉDITOS: saúde