Oito anos após um mutirão de cirurgias de catarata realizado pelo Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista no Hospital de Clínicas de São Bernardo, que resultou na infecção de 22 pacientes pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, o oftalmologista responsável pelo procedimento, Paulo Barição, segue sem condenação criminal. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o processo ainda está aberto e sob sigilo judicial. Somente em setembro deste ano, Barição foi punido pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), sendo suspenso por 30 dias por negligência e imprudência.

Entre os 27 pacientes operados na época, 18 perderam total ou parcialmente a visão, dez precisaram retirar o globo ocular, e um deles, Pelegrino Focher Riatto, de 77 anos, faleceu devido a complicações da infecção.

A advogada Letícia Maykoga, filha de Genesil da Silva Koga, considerou a punição “ridícula”, já que o médico voltou a atuar após cumprir a suspensão, de 2 de setembro a 1° de outubro. Atualmente, ele atende em uma clínica particular em São José dos Campos. “É revoltante que, após tudo, ele tenha recebido só 30 dias de suspensão e possa voltar a clinicar como se nada tivesse acontecido”, disse Letícia, que representa 13 pacientes que já foram indenizados. “Agora, esperamos que ele e sua equipe sejam condenados na esfera criminal”, afirma a advogada.

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Ela relembra que sua mãe começou a sentir fortes dores e lacrimejamento no dia seguinte à cirurgia. Em um quadro grave, foi necessário procurar atendimento particular, mas a infecção comprometeu sua visão. Ela perdeu a visão de um dos olhos, embora tenha mantido o globo ocular, e precisou de adaptação para se ajustar à nova condição. Apesar das dificuldades, conseguiu retomar sua rotina. “Hoje, ela está bem e superou a situação, vivendo normalmente, apesar das limitações”, concluiu Letícia.

Denúncia

A Delegacia de Defesa do Idoso de São Bernardo e a Vigilância Sanitária identificaram graves falhas de assepsia nas cirurgias coordenadas pelo Dr. Paulo Barição, tornando-o réu após denúncia do Ministério Público (MP). A promotora Simone de Divitiis Perez listou 12 pacientes com lesões corporais graves e oito que precisaram remover o globo ocular. A pena pode variar entre um e oito anos de prisão, dependendo dos casos.

O MP relatou falhas sistêmicas nos procedimentos: os pacientes eram anestesiados por uma assistente e levados à mesa de cirurgia, onde Barição atuava. Sem esterilização adequada entre as cirurgias, ele trocava apenas as luvas e usava uma solução para os instrumentos. Aventais, lençóis e campos cirúrgicos não eram trocados até a pausa para o almoço. Após o intervalo, as cirurgias foram retomadas sem nova esterilização, resultando em 22 pacientes infectados, sendo que 18 ficaram cegos e um faleceu.

FONTE/CRÉDITOS: SBC