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"Trazendo à tona a realidade da vida de quem estuda na USP e reside em uma favela", assim inicia Luana da Silva Nascimento, uma jovem de 23 anos de Mauá, seus vídeos nas redes sociais para quase meio milhão de seguidores. A estudante do curso de estatística compartilha na internet a face invisível de frequentar a melhor universidade da América Latina.
Antes de alcançar a instituição pública, Luana enfrentou inúmeros desafios em sua infância e adolescência devido à extrema vulnerabilidade em que vivia. Residente na comunidade Pedreirinha, seu pai, Pedro Rodrigues do Nascimento, 51 anos, foi diagnosticado com esquizofrenia em 2005, sendo afastado do trabalho, o que impactou diretamente na renda familiar.
"Vivi períodos de insegurança alimentar por muito tempo. Minha mãe teve que cuidar do meu pai, que demanda muitos cuidados, e de mais quatro filhos, então não tínhamos como suprir todas as necessidades. Roupas, material escolar e brinquedos eram todos doados", relata a jovem. Para complementar a renda familiar, a mãe, Luciana da Silva Nascimento, 49 anos, aprendeu a fazer bolos por meio do YouTube e começou a vendê-los.
Decidida a mudar a realidade da família, Luana optou por cursar uma universidade pública. Professores da E.E (Escola Estadual) Professora Elena Colonia, em Mauá, ajudaram-na a pagar a taxa do vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde foi aprovada em 2019 na segunda chamada no curso de estatística.
Devido a atrasos na liberação dos auxílios alimentar e financeiro pela instituição, a universitária precisou desistir da graduação e retornar para casa, localizada a 150 km da universidade. Sem perder de vista seu principal objetivo, ao voltar para Mauá, Luana iniciou uma nova rotina de estudos e empregou-se no telemarketing, desta vez visando ingressar na USP.
"Se você não for jogador de futebol, famoso ou herdeiro, a única maneira de sair da situação de miséria é através dos estudos. Isso não significa que você ficará rico, mas pelo menos poderá ascender economicamente para viver uma vida mais confortável", afirma Luana.
"Quando estudamos, compreendemos que a desigualdade em que vivemos não é culpa nossa. Trabalhamos incansavelmente apenas para sobreviver, por isso, é essencial termos consciência de classe", conclui a estudante.
ABCD NEWS