A realidade da gravidez precoce no Grande ABC assusta e preocupa. Dados apontam que, entre 2020 e 2024, 516 meninas de 10 a 14 anos realizaram pré-natal na rede municipal de saúde da região. Em 2025, já foram contabilizados 107 novos casos. A média mensal é de oito adolescentes grávidas nessa faixa etária.

HISTÓRIAS REAIS

Natália, de 15 anos, moradora de São Bernardo, descobriu a gravidez apenas no sétimo mês. “Consegui esconder da família porque minha barriga não cresceu muito. Não queria acreditar que era real”, relata. O segredo só foi revelado com o apoio de uma professora, que a incentivou a contar para os pais. Hoje, ela segue o pré-natal na USF Jardim Sorocaba, em Santo André.

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Já Amanda, de Santo André, também engravidou aos 14. “Senti medo e culpa. Meu pai ficou muito preocupado, mas agora tento aceitar”, conta. Ela faz acompanhamento desde o segundo mês de gestação.

Os nomes utilizados são fictícios para preservar a identidade das adolescentes.

CRESCIMENTO NOS NÚMEROS

O levantamento mostra que em 2020 foram 68 gestações nessa faixa etária, enquanto em 2024 o número saltou para 213, triplicando em apenas quatro anos. Além disso, entre jovens de 15 a 19 anos, o Grande ABC registrou 7.540 casos de gravidez em cinco anos.

UM DESAFIO SOCIAL

Especialistas alertam para os riscos. A ginecologista Laura Gusman lembra que, pela Lei 12.015/2009, relações sexuais com menores de 14 anos configuram estupro de vulnerável, mesmo quando há aparente consentimento. “Uma adolescente nessa idade não tem maturidade emocional para lidar com questões sexuais ou assumir uma gestação”, explica.

A psicóloga Marcia Pereira reforça: “A gravidez precoce rompe o ciclo natural de desenvolvimento e expõe meninas a responsabilidades adultas num momento em que deveriam focar nos estudos e na construção de sua identidade”.

O FUTURO

A estudante Sabrina Palacios de Abreu, 18, engravidou aos 16 anos. Sofreu bullying, precisou se afastar da escola, mas hoje encara a maternidade de forma diferente. “Minha filha é minha maior realização. Agora estudo, trabalho e planejo meu casamento”, relata.

FONTE/CRÉDITOS: DGABC